quarta-feira, 24 de março de 2010

Isso é tudo (:


Certos dias em que a saudade chegou no seu limite, eu desabei. As coisas não saiam do lugar, os mesmos rostos, a mesma rotina.
Sentia como se eu não passasse de um móvel, juntando poeira no canto da sala. Eu tinha uma gavetinha dentro dela está cheia de cartas, fotos, músicas e um baú trancado, pode-se ouvir tão sorrateiramente um batimento cardíaco dentro dele. No âmbito da sala não se escuta nada, não se encontra nem ânimo pra me tirar o pó, como um objeto ainda sujo eu só observava a vida lá fora.
Às vezes sinto o toque daquelas palavras, lembranças apenas isto. Servem-me pra que? Um alívio talvez, tão momentâneo quanto as estação do ano, são cinco minutinhos de prazer que logo se esvaíram e volto a estocar poeira novamente.
A cada dia uma nova metáfora, a casa dia uma nova história, a saudade foi se transparecendo de alguma forma, mas até quando continuaria escrevendo?
Toda força pra lutar, toda vontade de insistir tiveram seu limite. Ele abriu a porta e saiu, me deixou ali. Em tanto tempo meus sentidos me disseram que não havia acabo definitivamente, eu não sabia o porquê, agora resposta pra isso eu já tenho.
Tomei de volta a chave que ele tinha roubado, destranquei o baú, fiz reviver toda a vida que tinha tomado todinha pra ele, voltou a ser minha.
O sofrimento acaba, quando decidimos que ele deve acabar, acordar no dia seguinte e abrir um sorriso, é uma opção que ninguém pode fazer por nós. Ainda me pego às vezes em pensamentos que não devia ter, mas eu sei que isso é com o tempo que se vai...
Procurei em outros olhos enxergar os dele, me escondi atrás dos livros, cumpri novos horários, ocupei a minha mente, conheci novos rostos, elaborei um plano de fuga, mas no fim do dia os meus sonhos ainda me mostravam o que eu não queria ver, era ele ainda. Enfim tentar substituir algo não adiantaria de nada , uma hora ou outra um vazio tomaria conta de mim, não estava satisfeita...
Tive que aprender a não apostar minha felicidade por tão pouco, tive que aprender sozinha e consegui.... agora eu me basto, para assim depois, poder bastar alguém.

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