quinta-feira, 29 de abril de 2010

Senhora.

[...]"quem observasse Aurélia naquele momento não deixaria de notar a nova fisionomia que tomara o seu belo semblante e que infuía em toda a sua pessoa.
Era uma expressão fria, pausada, inflexível, que jaspeava sua beleza,dando-lhe quase gelidez de estátua. Mas no lampejo de seus grandes olhos pardos brilhavam as irradiações da inteligência. Operava-se nela uma revolução. O princípio vital da mulher abandonava seu foco natural, o coração, para concentrar-se no cérebro, onde residem as faculdades especulativas do homem.[...]
Não havia porém em Aurélia nem sombra do ridículo pedantismo de certas moças, que, tendo colhido em leituras superficiais agumas noções vagas, se metem a tagarelar de tudo.
Bem ao contrário, ela recatava sua experiência, de que só fazia uso, quando o exigiam seus próprios interesses. Fora daí, ninguém lhe ouvia falar de negócios e emitir opinião acerca de coisas que não pertencessem à sua especialidade de moça solteira"...

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